Ambientalistas rejeitam exploração mineral do pólo
Grupos ambientalistas não foram convidados para a cúpula e criticaram a disputa pela soberania do Ártico, dizendo que vai destruir o habitat de animais únicos. Eles pedem um tratado similar ao da Antártica, que bane a atividade militar e exploração mineral. De qualquer forma, ainda serão necessárias décadas para que se possa extrair petróleo do fundo do pólo Ártico.
– É insano ver a crise do derretimento de gelo como uma simples oportunidade para explorar recursos que estão atualmente protegidos sob o gelo – disse a ativista norueguesa do Greenpeace, Lindsay Keenan.
Sem limites
O Greenpeace disse que o mundo já tem quatro vezes mais reservas de combustíveis fósseis do que poderia queimar.
– Eles querem usar a lei do oceano para alcançar os materiais crus, mas estão ignorando a lei do senso comum. Estes são os mesmos combustíveis fósseis que atualmente fazem da mudança climática uma questão prioritária.
Os cinco países, no entanto, concordaram que não era necessário um novo tratado, dizendo na declaração que não havia necessidade de desenvolver um novo regime legal internacional.
As conversas também se focaram sobre os efeitos da mudança climática sentidos pelos habitantes do Ártico, cobrindo ainda a cooperação sobre acidentes, segurança marítima e derramamento de óleo.
Cientistas acreditam que as altas de temperatura no verão poderiam derreter a maior parte da estrutura de gelo do Ártico nas próximas décadas.
À medida que a barreira de gelo diminui, icebergs são formados, abrindo a Passagem Noroeste, o que permitirá uma travessia mais curta entre o Pacífico e o Atlântico.
– A segurança de vida requer que nós cooperemos em pesquisa e operações de resgate e que mantenhamos comunicações regulares para responder a acidentes e emergências naturais – declarou o vice-secretário de Estado americano, John Negroponte.
As Nações Unidas ainda não ratificaram a resolução da cúpula, mas Negroponte pediu urgência ao Congresso.
Jornal do Brasil OPINIÃO
Direitos humanos na guerra
As conclusões do Informe 2008 da Anistia Internacional, divulgadas esta semana, exibem o tamanho da complexidade que é desmontar o império do narcotráfico, iluminar as zonas cinzentas da insegurança e atender plenamente às expectativas locais e externas de respeito aos direitos humanos.
Para o relatório da Anistia, convém às autoridades brasileiras concentrar esforços no campo da segurança pública. O Rio, em especial, recebeu ataque feroz: aqui, disse o documento, "as promessas de reforma foram abandonadas".
Parece difícil, aos olhos internacionais, entender que a cidade imergiu, nas últimas décadas, numa guerra sem fim em que o medo, a violência e os ataques contínuos aos direitos humanos foram impostos, isto sim, pelos bandidos. O desafio atual – e nisto a gestão do governador Sérgio Cabral tem sido bem-sucedida – é fazer o Estado voltar a ocupar zonas conflagradas pelo medo, tratando o inimigo como ele é: um inimigo.
Além de ressaltar violações aos direitos humanos no Pará, a organização destacou a amedrontadora realidade das favelas, em que "adolescentes de 14 anos portam AK-47". Tem razão. São evidências perturbadoras, que inibem prognósticos mais otimistas em relação ao futuro dos jovens que moram em zonas de conflito. Mas só serão extirpadas quando a guerra urbana chegar ao fim. Esta é uma realidade da qual, infelizmente, não se pode escapar.
O Globo OPINIÃO
Itaipu, obra intocável
Delcídio Amaral
Aeleição de Fernando Lugo no Paraguai deve ser comemorada por todos os defensores da democracia. A vitória do ex-bispo pode ser o anúncio de novos ares num ambiente contaminado por décadas de autoritarismo e corrupção. No entanto, sua campanha eleitoral foi tisnada por um estilo que lembrou o radicalismo de um Hugo Chávez ou um espírito de revanche de um Evo Morales.
As conseqüências ainda se fazem sentir, apesar da moderação das palavras mais recentes do presidente, que toma posse em agosto. Na campanha, Lugo dizia, por exemplo, que os termos do Tratado de Itaipu espoliavam o Paraguai. Uma vez eleito, mudou de tom. Disse que pretende um relacionamento sério e amistoso com o Brasil.
Mas as sementes da discórdia plantadas durante a campanha eleitoral continuam a germinar. Não é apenas Itaipu. São também os brasileiros que adquiriram terras para produzir riquezas no Paraguai. Esses brasileiros não "invadiram" o Paraguai. Não podem ser vistos como "imperialistas". A não ser que se atribua aos imigrantes italianos que vieram para São Paulo no início do século passado essa qualificação. Eles estão no Paraguai como cidadãos, trabalhando, pagando impostos, respeitando as leis. E são ameaçados pelo movimento dos "campesinos" que adotaram a pratica de queimar bandeiras brasileiras nas suas manifestações.
No caso de Itaipu, que é metade brasileira, metade paraguaia, que se reconheça que a usina jamais se tornaria viável sem os nossos recursos. Itaipu não poderá jamais ser encarada como uma empreitada comercial. Tanto a Ata como o Tratado de Itaipu prevêem que a energia não utilizada por um dos condôminos só poderá ser usada pelo outro negociada "a preços justos".
A usina também não existiria se o Brasil não assegurasse que compraria do Paraguai todo o seu excedente. Foi a existência desse mercado cativo durante anos que viabilizou os créditos internacionais para a construção da obra. Resultado dessa parceria: hoje a usina está avaliada em US$60 bilhões. Ela é metade do Brasil, metade do Paraguai.
Em termos de produção, somados os 50% que pertencem ao Brasil com o excedente paraguaio, chegamos a consumir 95% da energia produzida. E o Brasil, apesar das supostas acusações de espoliação, paga por ela preços de mercado: US$45,31 o megawatt-hora. Se o Paraguai insistir e reivindicar tarifas maiores - porque justas elas já são - o consumidor é que será punido, no Brasil e no Paraguai.
Deveríamos ter uma política de fronteiras mais eficaz. Não interessa ao nosso país uma postura imperial se o nosso entorno viver em condições precárias. Mas há inúmeras formas de fazer isso sem mexer numa obra de concepção perfeita como Itaipu.
DELCÍDIO AMARAL é senador (PT-AM).
O Globo Voluntários da Cruz Vermelha vão atuar em favelas do Rio de Janeiro
Equipes já foram treinadas e programa deverá começar em junho
Voluntários da Cruz Vermelha vão atuar em favelas do Rio a partir de junho, de acordo com informação da Agência Estado. Segundo a reportagem, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha considera o número de vítimas de violência na capital fluminense equivalente ao de locais onde há guerra declarada. "A violência urbana é um sério desafio com o qual precisamos lidar" disse o presidente do comitê, Jakob Kellenberger.
Ainda segundo a reportagem, a Polícia Militar do Rio matou oficialmente 1.548 pessoas em 14 meses de governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) - de janeiro de 2007 a fevereiro deste ano, último dado divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Registradas como autos de resistência, as mortes em supostos confrontos atingiram seu maior número no atual governo: 110 por mês, em média. Foram 1.330 mortes em 2007 - o que representa um aumento de 25% em relação a 2006 - e 218 em janeiro e fevereiro deste ano, contra 207 no mesmo período de 2007 (5,31% a mais). No Iraque, foram mortos em confronto 14.235 pessoas em 2007.
A Cruz Vermelha tem como uma de suas missões agir, em caso de guerra, para proteger vítimas civis e militares. Um acordo para atuar no Brasil foi assinado em 2007. Em Genebra, Kellenberger evitou dar detalhes sobre o programa. No Rio, a filial da Cruz Vermelha informou que equipes já foram treinadas, inclusive na Argentina, e que o trabalho deverá começar na segunda quinzena de junho, com pelo menos 30 voluntários. O programa também deverá apoiar presidiários.
Friday, May 30, 2008
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